O eleitor brasileiro é, no mínimo, uma figura curiosa.
Durante anos, ouvimos pessoas afirmarem que votariam em um candidato de esquerda ou de direita apenas porque não existia uma alternativa capaz de representar aquilo que realmente pensavam. Muitos diziam esperar por um nome novo, alguém que pudesse fugir da velha disputa entre os dois extremos.
Pois bem. Um candidato apareceu.
E o mais curioso começou justamente aí.
Por força das regras eleitorais, não podemos citar o nome desse candidato neste momento. Mas basta observar as discussões nas redes sociais para perceber um fenômeno interessante: eleitores de direita passaram a dizer que o candidato é de esquerda, enquanto eleitores de esquerda afirmam que ele é de direita.
Afinal, onde ele se encaixa?
Talvez justamente no lugar que muitos brasileiros diziam querer: fora da velha divisão entre esquerda e direita.
É por isso que, particularmente, não sou muito de cobrar tanto dos políticos. Eles têm, sim, suas responsabilidades, mas o eleitor também precisa assumir a sua parcela de responsabilidade pelo cenário político que temos hoje.
Somos nós, eleitores, que escolhemos. Somos nós que alimentamos determinadas discussões. E, muitas vezes, somos nós que transformamos qualquer pessoa que pensa diferente em inimigo.
Se a eleição fosse hoje, acredito que esse novo nome poderia ultrapassar a marca de 10 milhões de votos. Ainda não é o suficiente para vencer a eleição, mas seria um resultado extremamente significativo e poderia representar o início de um caminho para uma verdadeira terceira via na política brasileira.
O Brasil precisa sair dessa guerra permanente entre esquerda e direita.
Precisamos de menos torcida organizada e mais capacidade de diálogo. Precisamos de um país que consiga discutir seus problemas sem transformar toda divergência política em uma batalha.
E, justamente por ter crescido rapidamente nos últimos dias, esse candidato provavelmente também passará a ser alvo de ataques de todos os lados. É provável que surjam críticas, acusações e até notícias falsas tentando desconstruir sua imagem.
Cabe ao eleitor ter responsabilidade, pesquisar, conferir informações e não compartilhar qualquer conteúdo simplesmente porque ele confirma aquilo que já pensa.
Ainda acredito que esse candidato poderá ser bem votado no primeiro turno. Independentemente de vencer ou não, uma votação expressiva poderá mostrar que existe espaço para uma alternativa ao atual modelo de polarização.
No fim das contas, talvez a grande questão não seja descobrir se um candidato é de esquerda ou de direita.
Talvez seja perguntar se ele consegue representar uma parcela do Brasil que está cansada de escolher lados e quer, simplesmente, um país mais pacificado.
Porque enquanto continuarmos enxergando política como uma guerra entre dois lados, dificilmente conseguiremos construir um país que pertença a todos.
Por Cassinho Morais





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