A nova proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República nos dias 1º e 2 de junho de 2026, promete causar um terremoto nos Três Poderes da República. Diferente da primeira versão, rejeitada em 20 de maio por ser considerada “insuficiente” e “seletiva”, o novo documento foi descrito por fontes com acesso ao material como “reformulado, ampliado e aprofundado”.
De acordo com reportagens da CNN Brasil e do jornal O Globo, principalmente, a nova proposta cita autoridades relevantes do Governo Lula, do Supremo Tribunal Federal e até da oposição à gestão PT. A PF e a PGR têm até o dia 12 de junho para dar uma resposta. Veja alguns dos pontos que já foram revelados pela imprensa sobre esse novo texto:
AS AUTORIDADES CITADAS
Ministro Alexandre de Moraes (STF) — e o contrato de R$ 129 milhões com sua esposa
O nome mais explosivo da delação. Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles (6/5/2026), Vorcaro afirmou na proposta de delação que firmou um contrato de R$ 129 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O banqueiro alegou que buscava “proximidade com o magistrado”, mas sustentou que não houve troca de favores.
A jornalista Malu Gaspar, do O Globo (3/6/2026), revelou que a primeira versão da delação, a rejeitada, já citava um segundo contrato de R$ 50 milhões, que não chegou a ser assinado, também com o escritório de Viviane Barci. O contrato vigente, de R$ 129 milhões, previa pagamentos em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões e vigorou de fevereiro de 2024 até novembro de 2025, quando foi rompido após a liquidação do banco e a prisão de Vorcaro, segundo O Tempo (3/6/2026).
Dados da Receita Federal, já reportados anteriormente, confirmam que o banco pagou R$ 80 milhões à advogada, dos quais R$ 40 milhões apenas em 2025. O escritório de Viviane Barci afirmou, em nota, ter realizado 94 reuniões de trabalho com integrantes do banco, totalizando 267 horas, e produzido 36 pareceres e opiniões legais, conforme o Metrópoles.
Alexandre de Moraes não é investigado formalmente. Mas a magnitude do contrato e a declaração de Vorcaro de que buscava “proximidade” com o ministro tornam a relação um dos pontos centrais da investigação.
Senador Ciro Nogueira (PP-PI) — amigo pessoal, mensagens no celular e inclusão na nova delação
Um dos nomes mais significativos adicionados na segunda versão da delação. Segundo o Portal RBV (3/6/2026) e o Mídia Jur (3/6/2026), o senador e presidente nacional do PP foi incluído na nova proposta após a PF encontrar mensagens trocadas entre ele e Vorcaro no celular do banqueiro.
A Folha de S.Paulo (3/6/2026) confirmou que a primeira versão da delação não incluía as suspeitas relacionadas a Ciro Nogueira, que se tornaram alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero. Interlocutores de Vorcaro afirmaram que ele “não teria como deixar de citar o senador” na nova versão, justamente por causa das mensagens apreendidas.
A BBC News Brasil (5/3/2026) já havia revelado que mensagens extraídas do celular de Vorcaro mencionavam relações e encontros com Ciro Nogueira, entre outras autoridades. As conversas foram obtidas no âmbito da investigação que levou à prisão do banqueiro e foram compartilhadas com a CPMI do INSS.
Governo Lula
Segundo a BBC News Brasil (5/3/2026), mensagens encontradas no celular de Vorcaro faziam referência a encontros e relações com o presidente Lula. No entanto, de acordo com o SP Diário (6/5/2026), a primeira proposta de delação não mencionava Lula diretamente, embora citasse encontros e interações com políticos de diversas correntes.
Na nova versão, conforme apuração de Caio Junqueira, Vorcaro detalha relações com “dois ministros do governo Lula”. Os nomes não foram revelados publicamente até o fechamento desta matéria, mas a CNN Brasil e a Gazeta Mercantil confirmam que os investigadores consideram essas informações relevantes para avaliar a viabilidade do acordo.
Vale lembrar que o escritório do ex-ministro Ricardo Lewandowski, isso já foi noticiado, tinha contrato com o Banco Master para prestar consultoria. Lewandowski foi ministro da Justiça e Segurança Pública na gestão do PT.
Integrantes da cúpula do Congresso Nacional
A CNN Brasil (3/6/2026) e o G1 (3/6/2026) reportaram que a nova delação cita “integrantes da cúpula do Congresso”, sem identificar os nomes. A menção à “cúpula” indica que as informações podem envolver presidentes de casas legislativas, líderes partidários ou membros de comissões estratégicas.
O O Globo (4/6/2026), em reportagem de Eduardo Gonçalves e Sarah Teófilo, confirmou que a PF espera que Vorcaro forneça provas de suas relações políticas como condição para aceitar o acordo.
Hugo Motta
Um dos nomes de maior repercussão revelados pelas mensagens do celular de Vorcaro. Segundo o Poder360 (5/3/2026), a Folha de S.Paulo (5/3/2026) e o Valor Econômico (5/3/2026), as conversas entre o banqueiro e sua namorada Martha Graeff mencionam pelo menos cinco encontros com uma pessoa identificada como “Hugo”.
Em uma delas, em 20 de março de 2025, Vorcaro relatou uma reunião conjunta na qual Hugo Motta e Ciro Nogueira chegaram à sua residência para “falarem com Alexandre” — em provável referência a Alexandre de Moraes. “Estou sim, acabou chegando Hugo e Ciro aqui para falarem com Alexandre. Não deve demorar”, escreveu à namorada, conforme o Valor Econômico e o Poder Nacional (16/3/2026).
Além desses encontros, O Globo (28/5/2026) revelou que uma degustação de uísque promovida por Vorcaro em Nova York, no Carnegie Club, em 14 de maio de 2024, reuniu Hugo Motta, Ciro Nogueira, o então governador do Rio Cláudio Castro (PL), os deputados Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). O evento custou R$ 5 milhões e foi citado pela Polícia Federal na investigação contra Castro.
Flávio Bolsonaro
Para além dos áudios já vazados, Flávio Bolsonaro pode ser atingido pela delação em três frentes criminais. Segundo a imprensa nacional, na nova proposta de delação, Vorcaro confirmou os pedidos de Flávio por dinheiro e descreveu os repasses feitos ao “Dark Horse”, segundo fontes ligadas ao caso ouvidas pelo Correio Braziliense (3/6/2026), pela Revista Fórum (3/6/2026) e pela CNN Brasil (4/6/2026). O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, foi designado relator das ações sobre o Master e o “Dark Horse” no TSE, conforme indicou a CNN Brasil (4/6/2026).
Michel Temer (ex-presidente)
Conforme reportagens anteriores da BBC News Brasil e do Metrópoles, Vorcaro fez repasses milionários a partidos e figuras políticas, incluindo Michel Temer. As mensagens obtidas pela PF e pela CPMI do INSS indicam uma rede de conexões que ultrapassava governos e linhas ideológicas.
PRÓXIMOS PASSOS
Até 12 de junho, PF e PGR devem dar resposta sobre a nova proposta. Se aceita, Vorcaro será convocado para depoimentos formais e construção dos anexos definitivos. A homologação caberá ao ministro André Mendonça no STF. Se rejeitada novamente, as investigações seguem sem a colaboração do banqueiro, e Vorcaro perde a cela especial.



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